{"id":221238,"date":"2022-01-26T10:01:05","date_gmt":"2022-01-26T13:01:05","guid":{"rendered":"https:\/\/lucianomedina.com.br\/?p=221238"},"modified":"2024-12-26T17:23:54","modified_gmt":"2024-12-26T20:23:54","slug":"nossa-voce-mora-no-amanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/40anos.jardimamanda.com.br\/index.php\/2022\/01\/26\/nossa-voce-mora-no-amanda\/","title":{"rendered":"Nossa! Voc\u00ea mora no Amanda?"},"content":{"rendered":"<p>Quem a\u00ed j\u00e1 n\u00e3o teve que reafirmar a resposta \u00e0 famosa pergunta, espantosa e medonha: voc\u00ea mora no Amanda? Eu respondi in\u00fameras vezes a essas perguntinhas arregaladoras.<\/p>\n<p>Desde a adolesc\u00eancia sou confrontado com esse tipo de espanto. Primeiro foi nas escolas em que estudei em Campinas, depois no decorrer da vida, no trabalho, no lazer, enfim na trivialidade dum bate papo. At\u00e9 em namoro me deparei com caras e bocas, acredite. Sofri dupla discrimina\u00e7\u00e3o de pais de namorada; por ser pardo e morador da quebrada, foi tenso.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, j\u00e1 ouvi e presenciei coment\u00e1rios sobre a fama de quebrada violenta. Geralmente de tipos sentados em poltroninhas dos Ap\u00eas e conjugados emergentes em Campinas. Os bicos dirigidos a mim ao descobrirem que assentava morada na quebrada est\u00e3o armazenadas na mem\u00f3ria, e s\u00e3o inesquec\u00edveis e c\u00f4micas. \u00a0Um misto de com\u00e9dia e indigna\u00e7\u00e3o. Como j\u00e1 ultrapassei a fase da rebeldia revolucion\u00e1ria encaro a situa\u00e7\u00e3o com muita ironia.<\/p>\n<p>Vez ou outra ainda me ocorre essas inquiri\u00e7\u00f5es. Geralmente nos corres na rua, no tr\u00e2nsito, numa festa, enfim sempre surge aquela perguntinha assoberbada dum menudo, ou de alguma vi\u00fava da ditadura. Nossa! Voc\u00ea mora no Jardim Amanda, mas voc\u00ea fala t\u00e3o bem. Acredite, nos avan\u00e7ados 47 anos de idade e 30 s\u00f3 de Jardim Amanda, me deparo com gente assim. Ossos do of\u00edcio.<\/p>\n<blockquote>\n<h1>\u201cNossa! Voc\u00ea mora no Jardim Amanda? Sim, h\u00e1 30 anos. Gra\u00e7as a Deus, respondi\u201d<\/h1>\n<\/blockquote>\n<p>Ainda hoje ou\u00e7o resenhas como essa, e de quem sequer transitou pela Avenida Santana do come\u00e7o ao fim. Qui\u00e7\u00e1 a Avenida Brasil margeando os botequins e o vai em vem da comunidade.<\/p>\n<p>As lembran\u00e7as do Jardim Amanda dos anos 80 e 90 do s\u00e9culo passado ainda \u00e9 muito forte e flagrante no imagin\u00e1rio de muita gente do bairro, e n\u00e3o \u00e9 saudosismo n\u00e3o, \u00e9 valoriza\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 certo que o bairro teve a contribui\u00e7\u00e3o da rapaziada dos artigos, mas os artigos de jornais e outros ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o potencializaram a fama do Amanda.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o tira a satisfa\u00e7\u00e3o e o orgulho de compor as muitas hist\u00f3rias escritas no Amanda, de jeito nenhum. Muito pelo contr\u00e1rio. Como muitos outros moradores, tivemos a oportunidade de observar o desenvolvimento e o crescimento da quebrada. O Amanda \u00e9 foda, o Amanda \u00e9 nosso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem a\u00ed j\u00e1 n\u00e3o teve que reafirmar a resposta \u00e0 famosa pergunta, espantosa e medonha: voc\u00ea mora no Amanda? Eu respondi in\u00fameras vezes a essas perguntinhas arregaladoras. Desde a adolesc\u00eancia sou confrontado com esse tipo de espanto. 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